> Nasi, o louco normal > isso pode? > claro que pode

novembro 14, 2007

nasi1.jpg

Acho que tenho algumas coisas a dizer sobre o Nasi. Não que eu deva, ou mesmo precise, mas enfim, vamos lá.

Neste último final de semana o cara apareceu no Fantástico, lúcido, sóbrio, sentado com aquela camisa cafa meio aberta, falando bem, e eu não parava de pensar que aquele era, afinal, o mesmo Nasi que conheci (e conhecemos, nós todos da equipe) durante as gravações do Sem Fio. O mesmo Nasi louco e normal que conhecemos naqueles dias. Louco e normal, pode isso?

Claro que pode, gente.

Eu via tudo aquilo sem muito espanto, já acompanhava a história de perto, já estava de saco cheio, aliás, mas não pude deixar de impressionar-me com a estupenda cara de pau do irmão do Nasi em liberar para a produção da Globo aquela engraçadíssima gravação do vocalista, bêbado, xingando e supostamente ameaçando-o de morte. Aquilo foi simplesmente umas das maiores demonstrações de mau-caratismo que já tive o privilégio de presenciar na vida (expor a gravação à mídia, vejam bem, não a gravação em si). Quem tem irmão ou irmã, sabe exatamente do que estou falando. Independente de tudo que estivesse acontecendo com os dois, três e mais integrantes desta balbúrdia lamentável, é óbvio que uma gravação daquelas, colocada daquele jeito, fora de contexto, criaria alguma confusão inútil e totalmente dispensável. E é claro, também, que a gente nunca espera que nosso querido irmão libere uma coisa dessas para um programinha que só chega em quase todas as milhões de casas desgraçadas deste nosso país-continente. É o que se espera, claro. Esperando e aprendendo.

Eu mesmo, com meu irmão, faço lá umas brincadeiras que não são muito convencionais. Batemo-nos, xingamo-nos, humilhamo-nos, zoamo-nos. Se já gravei mensagens homicidas na secretária eletrônica dele? Claro que já. Milhões de vezes. Bêbado e sóbrio. Quem tem irmão, repito, sabe do que estou falando. Quem não tem, tenta seguir o fio da meada.

Ou, melhor, o Sem Fio da meada, com o perdão do trocadilho indecente.

Com irmão ou sem, continuemos.

Algumas dessas mensagens eram brincadeiras, outras não. Eu realmente tenho vontade de matar meu irmão? Às vezes. Por que não o faço? Preguiça. E um pouco de nojo de sangue. Será que um dia eu matarei meu irmão?

É claro que não.

Será que um dia o Nasi matará seu irmão?

É claro que não.

Todo mundo concorda com isso, não? Então qual é o problema?

Eu não sei. E ninguém sabe.

Só eles mesmo, ali, enfiados naquela lama deplorável, mirando a miséria humana de perto, podem dizer alguma coisa a respeito do assunto. E, sinceramente, eu não estou nem aí. Estou pouco me fodendo, para usar o português escuro mesmo. Quero que todos se fodam.

Eu conheço o Nasi? Só o tanto que cheguei perto dele durante as gravações. Antes disso, nem mesmo escutava sua música. Na verdade, com o perdão dos fanáticos, eu não gostava do Ira!. Sei dele o que acompanhei nas gravações de nosso longa. O que eu vi foi um homem entretido com o momento, concentrado em fazer o melhor Castro possível, personagem arredio, que cada um na equipe enxergava do seu jeito e que só acabaria por se definir mesmo com a chegada de Nasi.

O que presenciei naqueles dias foi a divertida construção de um indivíduo complicado, regada a vinho, grappa e whiskey, não necessariamente nesta ordem e nem lá com algum exagero que se notasse, além de poucos atrasos mais do que previsíveis e uma concentração um pouco nervosa e raivosa em alguns momentos, mas que, apesar de tudo, se mantinha sempre bem-humorada, sempre capciosa e irônica, uma concentração que saía e entrava de foco quando bem quisesse, que improvisava com maestria e que não se preocupava em inutilmente esconder o sofrimento e a decepção que obviamente sentia.

Finalmente, posso dizer sem ter medo de cair em exagero, que Nasi foi genial.

Desde o começo das produções mostrou-se entusiasmado, humilde e receptivo. Via-se, claro, que se tratava de uma pessoa indomável, mas, acima de tudo, uma boa pessoa. Era um cara louco, obviamente, mas um louco normal. Um louco normal.

Pode isso?

É claro que pode, gente.

E eu quero que eles se fodam.

Fraternalmente.

[CATO ALBERICO RIBEIRO]

nasi11.jpg

Anúncios

18 Respostas to “> Nasi, o louco normal > isso pode? > claro que pode”

  1. Stella said

    Bravo!!!

    Grande dede!!

    Viva a miséria meu amigo, miséria deles…pouco nossa…

  2. ROSE said

    NASI ESTOU DO SEU LADO TORCENDO SEMPRE POR VC..QUE DEUS O ABENÇÕE.
    BJS NO SEU CORAÇÃO

  3. Tiara e Bruno sempre que precisarem estaremos por aqui.

    Bjs.

  4. Cláudia said

    Gostei……….. muito bem!!!!!!

  5. Marcos Sergio said

    Cara eu imagino sua raiva , mas não há nada melhor que transformar esta raiva em trabalho.
    Inteligência e idéias acredito que não faltam.

  6. Assistente said

    Marcos Sérgio!!

    Esse texto foi escrito por Cato Alberico e não pelo Nasi….
    Mas valeu pelo comentário!

    Inté!

  7. Ernane Palhares said

    Muita fumaça para pouco fogo! Nasi é muito competente no que faz, pude constatar ao vivo; ambos os lados sobreviverão!
    Vida longa ao IRA!, vida longa e saudável a NASI!
    Vamos lá minha gente, vamos viver 2008, vamos desobstruir o Judiciário, arregaçar as mangas, e empregar nossa energia naquilo que interessa, o bom e velho ROCK!!!

  8. suzana said

    Realmente quem ama , gosta ,admira, mesmo que esta pessoa nos decepcione nao fala mau , muito menos grava conversas pra desmoralizar quem se gosta , moral é uma coisa que se perde sozinho ninguem precisa de outros falando mau e outra se gosta tenta ajudar não destruir !Te gosto demais Nasi!to louca pra ver o filme !Bjokas

  9. Paula said

    CATO
    Muito boa a sua crônica…
    Também achei mediocre a atitude do irmão…
    Mas mas ridículo que ele foi a Rede Globo passar aquela reportagem unilateral…
    O Nasi é mesmo genial!!!!
    Estamos ao lado dele, sempre!!!

  10. marcos nogueira said

    Nasi

    Queremos que você volte logo !!!

    Abraços

  11. cristina said

    Nasi estou louquinha para te ver cantando novamnete,fica frio,sabia que o Ira sem vc seria nada,mas vc sem o Ira continua sendo tudo!!!!

  12. Rosi said

    Pessoal estou desolada com essa atitude do Irmão e da família do Nasi, fiquei chateada mesmo com tudo isso, pois quem conhece o trabalho do IRA! E do Nasi sabe muito bem que isso não tem nada haver.

    Bando de porcos pensando no dinheiro e esquecendo do BOM TRABALHO realizado.

    Nasi volta logo, por favor, o Ira! Não é nada sem vc…

    Espero que td isso passe logo não consigo suportar em acreditar que 26 anos de trabalho acabe assim.

    Pessoal vamos acreditar e arregaçar as mangas e acreditar que tudo isso e nada!!!!

    Bjs
    Rosi

  13. Santiago Errera said

    Cara …

    Um dos melhores textos que já li. Acompanho a carreira de Nasi (como fã) já a algum tempo, e posso dizer que é uma das melhores críticas que já li a respeito dos acontecimentos recentes. Parabéns.

    PS: Vida longa a todos. Nasi, sucesso !!!

  14. Gressy said

    Sei q esse post foi criado há 7 meses atrás mas não poderia deixar de comentar, afinal concordo com nosso amigo aí de cima “Santiago”, sem dúvida é a melhor crítica q já li a respeito dos acontecimentos recentes.

    Óbvio q o Nasi é Louco, um Louco Normal!!

    Quem não tem problemas pessoais? Todos temos. E Cada um vive como pode viver. Cada um se expressa de forma possível para o seu “eu”. Desejo ao Nasi um vida bem mais saudável! Ele merece melhorar como pessoa! Como cantor, músico, ator, dispenso qualquer elogios, nenhum seria suficiente para o tamanho do seu talento!!

    O Ira! sem o Nasi será apenas uma banda que foi uma das melhores do país, que acabou. (Infelizmente…).O Nasi semo Ira! É O NASI!! (Felizmente…)

    Nasi, Vejo flores em vc 🙂

    Quanto a atitude do irmão do Nasi, é simples explicar: A banda de fato acabou, Não apenas o “irmão”/empresário como o Edgard Scandurra (infelizmente tb) queriam (ou querem) um “culpado”. Então, empurrar a culpa pra cima do “Louco” da banda é muito mais fácil e, ganhar um dinheiro extra cedendo imagens do “louco” da banda xingando, bêbado, seu irmão (pq deve ser muito raro vc falar besteiras bêbado e muito raro brigar com irmãos) deve ser muito bom tbm.
    Vergonhoso! Mas esqueceram que nós, fãs do Ira! e do NASI, achamos o Nasi um Louco, Um louco absolutamente normal. E é possível.

    Esse fim foi proposital, talvez até rídiculo, mas adorei a crônica.
    Parabéns pela crônica, pelo filme!

  15. Gressy said

    Crônica não! Crítica 🙂

  16. patricia schmidt said

    Estou um tanto quanto atrasada no tempo para um comentáriomas não posso deixar de dizer: Nasi, você está acima de tudo isso, um beijo sou apaixonada por você. o MÁXIMO! beijo.

  17. ivana de toledo said

    meu comentario esta atrasadissimo, porem li esse texto maravilhoso hoje. nunca gostei do ira, ate ouvir o girasol, foi entao que me apaixonei pelo Nasi. Agora sou fã incondicional. Louco é a pessoa que pensa que pode derruba-lo. Nasi, sei que estou muito longe, mas estarei sempre torcendo por você.Você é sensacional!!! um beijo. (espero um dia poder te conhecer pessoalmente)

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: