> novas cenas do filme
Outubro 30, 2007
> Castro (Nasi), vida sem fio.
> Ana (Luciana Stipp), perambulando entre vultos de tristeza.

> Xará (Luis Panini) deleita-se com a sensação de vazio.

> Heloísa (Amanda Maya) encontra-se com a FALTA de realidade.

E outras mais, para quem estiver com uma FALTA de tempo: >>aqui<<.
> a serviço da miséria humana?
Outubro 23, 2007
A miséria humana. Se estamos realmente a serviço dela? Cada pergunta que nos fazem, acreditem vocês: “Vocês estão a serviço da miséria humana?”, como se a miséria humana tomasse corpo, na forma de algum chefão que não defeca há muito tempo, e, constipado, nos desse ordens e objetivos a serem cumpridos. Metas. Nossa meta não é a miséria humana. Não estamos a serviço dela, nem de ninguém, nem de nós mesmos. Não nos controlamos. Deixamos que tudo se vá.Vocês querem saber se somos otimistas sobre a miséria do ser humano? Alguns de nós são. Outros não. Em geral gostamos de acreditar que tudo está no controle. Que nós estamos no controle de nós mesmos. Que nós. Os nós.
Os nós de nós mesmos.
Não temos opinião nenhuma. SEM FIO é um filme, nada além. Tudo além.
Se o filme trata-se de uma celebração da miséria humana? Claro que não. Ele não celebra coisa alguma. Ele celebra o fato de estar nos cinemas. Ele celebra a união de uma equipe que não tinha razão nenhuma para existir, mas que decidiu parar com tudo em suas respectivas vidas e fazer um filme. Ele celebra o fato de existir. E só.
Nada além.
Tudo além.
[CATO ALBERICO RIBEIRO]
teasers: http://br.youtube.com/watch?v=ZhlHCID4Q_w
http://br.youtube.com/watch?v=eGFNXNnYu4I
http://br.youtube.com/watch?v=hVFyJ9XDMPs
assistam.
ou não.
> II TEASER DO SEM FIO, COM LEOPOLDO PACHECO (alguns minutinhos pra carregar…óbvio…)
Outubro 18, 2007
> Pó e sangue > LEIA ANTES, Tá????
Outubro 17, 2007
Antes de mais nada: o blog está em constante construção e transformação, então por favor não nos cobre fotos de personagens que estejam faltando ou sinopses incompletas. Isso é o SEM FIO. Caos. Miséria. E pronto. São vários núcleos e leva tempo pra colocar tudo no ar, tá? O site vai estar renovado BEEEEM em breve e pronto. Disse a lenda que na sexta ou na segunda estará bombandoooo! Por enquanto, ainda estamos nos últimos dias de gravação, e colocamos no ar aquilo que dá. Ninguém lê isso mesmo, o pessoal parece que só gosta de ver as fotinhos… então foda-se. Nossa! Escrevi foda-se! Desculpe-me a patrulha ideológica de plantão que vai achar isso uma grosseria, mas “foda-se” já é usado há muitos anos (se não me engano é da época da patota) então nem é considerado mais um palavrão. É uma onomatopéia. Ou não. Se os menores de idade estiverem lendo, sorry (como escreveu um dos ilustres comentaristas), se as mães estiverem lendo, me desculpem, mas vossos filhos devem falar foda-se há bastante tempo, então não fiquem bravas. É quase como falar “vou tomar água”. Ou “patota”.
Ok. O pó e sangue. Posso explicar? Agora não; estou cansado pois editei o dia inteiro. Amanhã, depois de um dos últimos dias de gravação, talvez eu explique.
São 5:20hs e tenho gravação às 07:00hs…pode? Não. Não pode. Catso. Me f :@#$ di!!! Alguém me acorde amanhã por favor…!!!
Beijinhos poeirentos e sanguinolentos-bicudinhos pra quem leu!
> fui eu quem escreveu…ha…rimou…dane-se…Tiaraju Aronovich
empoeirado e ensanguentado!
> kátia chaça
Outubro 17, 2007
wow, escreve um parágrafo aí, por favor. eu posso usar ortografia cibernética? eu posso? é que eu não sei falar bloguês. mas tudo bem, escreve aí pra mim, vai? então eu escrevo “wow” mesmo. mas não consigo ir além, pq? não, eu consegui, veja só: “pq”, “vc”, “naum”; ortografia cibernehtica… a gente se esforça tanto pra aprender a pôr os acentos e então não precisa mais pôr em lugar nenhum. genial. essencial.
sacal.
falar bloguês, eu não sei.
ókei?
> tem santo que se acha decente, mas é demente > indecente > dormente > coisa que não se entende > neuroses semelhantes > “passei da idade” > ok? > ok
Outubro 15, 2007

às vezes eu sei que não consigo fazer com que me entendam. e eu também não posso ficar aqui, num falso mea culpa, fingindo que eu nem quero que as pessoas me entendam, inventar desculpas, dizer “Ah, eu não estou nem aí” e essas coisas que a gente abre a boca pra falar, mas não tem coragem de viver. eu realmente gostaria que as pessoas me entendessem muito bem, sem falhas e ruídos. eu até acho que me esforço demais pra conseguir. e vocês não sabem como eu me sinto quando percebo que não me faço entender.
nem fico tão magoado assim, pra falar a verdade. não entro naquelas de achar que estou ficando louco ou neuroses semelhantes. não. é como dizem, eu já passei da idade. é como dizem. pois nem me entristeço, de verdade, porque o que acontece é que eu também não entendo vocês. não entendo os outrem. eu não entendo ninguém, nem todos, esteja morto, vivo, debaixo d´água ou flutuando no ar. não entendo. falem nas línguas que quiserem. não rola.
então fica tudo por isso mesmo.
eu não entendo você e você não precisa me entender também, ok?
ok.
plano-sequência ideal
Outubro 13, 2007
platão de olhos fechados forçando a criação dum mundo ideal trancafiado em sua caverna de sombras e reflexos turvos apurando a vista cansada com o foco forçado o foco que não entende bruxuleios de sambistas bicudos na concentração do sambódromo que não entende a polifonia espectral que se desenrola nessas paredes sujas e tortas forçando a vista e tentando controlar o movimento das pupilas numa espécie de autonomia psicossomática radical um ascetismo sensorial que nos obrigaria a controlar os menores movimentos e fluxos de nossos corpos (as batidas do coração o movimento dos pulmões a quantidade exata de insulina para cada bocado de açúcar ingerido um despertador biológico que nos acordaria com a precisão dum relógio nuclear) todos os comandos do corpo esquecido ao alcance dum movimento mental ou duma reflexão que não dá a volta nela mesma ou duma mentira que a gente acredita logo de cara e que nos faz voar
voar
[CARLOS ARRUDA]

Um dia pegamos o Nasi (que eu, aliás, odeio quando chamam de Wolverine do rock) e fomos gravar uma cena num cartório em plena rua Augusta. Era quinta-feira, a noite começava daquele jeito de sempre, as putas subindo a rua, os moderninhos descendo, enchendo os barzinhos e os puteiros da vida. Nossa equipe encontrava-se, horas antes, em Santo André, com o mesmo Nasi já citado, gravando uma cena estressante e cansativa. Mesmo assim, Tiaraju, o diretor, que é brasileiro e não desiste nunca, resolveu não cancelar as gravações.Apesar de tudo, estávamos entusiasmados. Seria uma cena difícil, um plano-sequência que, inicialmente, calculamos que duraria, no máximo, uns 10 ou 12 minutos. A locação, o tal cartório, era perfeito, com enormes arquivos empilhados simetricamente por todas as paredes, lindas luzes fluorescentes e muitas escrivaninhas. Uma escultura de ordem.
Todos empolgados, cansados, mas empolgados. Tiaraju tentava manter o ânimo da galera enquanto fazia a marcação de cena com Vaner, o fotógrafo. Em pouco mais de uma hora a cena estava toda pronta, marcada, os microfones a postos. Nasi chega ao cartório e a equipe passa a cena com ele, coreografando os movimentos do microfonista, do ator, do câmera e de uma improvisada dolly, construída por Nill Santos, o McGyver de Carapicuíba (dê-lhe um chiclé e ele move o mundo). Nasi, corajosamente, quis gravar logo de cara, sem passar a cena. Ótimo. Primeiro plano: 18 minutos, sem sair de cima. Segundo plano: incríveis 18 minutos, novamente (essencial, meu caro Vandré!). O terceiro durou 19 minutos, quase a mesma coisa. E nem mesmo preparamos a cena ou matamo-nos com exaustivos ensaios. De uma certa maneira, a cena se auto-dirigiu (espero que o diretor não se ofenda com isso, mas ele provavelmente entenderá o que eu quero dizer). Foram feitos os três planos e todos acharam que estava bom. Nasi se vai e nós, entre putas e moderninhos, sentamos num bar da moda (sic) e bebemos cachaça.
Conversamos sobre a cena, espantados com seu tempo de duração. Estávamos otimistas, mas logo esquecemos de nós mesmos e demos atenção a Stella, produtora, que tinha acabado de desperdiçar seu aniversário entre locações distantes, planilhas de direção, fitas, claquetes, encheções de saco, comida ruim, salgadinhos, cigarros, litros e litros de coca-cola. O humor, porém, mantinha-se bom, inalterado. Demos os parabéns a Stella, embriagamo-nos e fomos cada um para suas respectivas casas. Tínhamos o dia seguinte pela frente.
Como todo mundo, aliás.
[CATO ALBERICO RIBEIRO]
> blog póstumo > blog disléxico > atrasado > autista
Outubro 12, 2007
Este aqui é um blog póstumo. As gravações estão quase por acabar, faltam quase três dias. Eu, numa auto-defesa descarada, já me pergunto: por que tão tarde? Pergunto-me.
Começar uma agenda no melhor estilo “meu querido diário” faltando três dias para o final das gravações é realmente patético. Mea culpa. Como eu não me considero tanto assim, presto-me a tão ridículo papel e começo esta agenda de luluzinhas vitimizadas e orkuteiros recalcados; de masturbadores virtuais e gatinhas de bate-papo que fedem a cerveja e nicotina e estão sempre com a barba por fazer; de solitários sedentários e nômades de páginas pornô.Já agrido que é pra me adiantar.
Acho a internet uma falta de coisa pra fazer. Uso para o necessário e quero que o resto se dane. Não respeito e quero, repito, que se dane. Acho que é uma vida de mentira mesmo, essa de ficar atrás do monitor tentando se relacionar com outras pessoas. Não vejo razão. Mas também, “razão”? A esta altura do campeonato? Desconsiderem.
Ou não.
Os bares estão abertos, as praças, ainda que horrorosas, estão aí; e, se tudo está uma merda, temos ainda as quinas das calçadas.
Mas, mesmo assim, preferimos os confortos de nossas escrivaninhas e diluímos nossas frustrações e culpas em esmegma e tesões mal-resolvidos. Não tenho moral nenhuma pra falar. Escrevo um espelho. Mea culpa, mea maxima culpa.
Então vou começar um querido diário aqui.
E eu podia ter dito só isto mesmo.
[CATO ALBERICO RIBEIRO]
